quinta-feira, 16 de abril de 2009

Loucura Moderna

Hoje acordei como sempre por volta das seis e quinze.Enquanto minha mãe passava o café, liguei a televisão para acompanhar o noticiário. O "Bom Dia Brasil", mais precisamente. Mal se passaram dez minutos, e eis que, entre uma notícia futebolística e outra, o locutor me anuncia: "- empresária gaúcha mata irmã, sobrinha e o marido". Motivo: estava falida, liqüidada. E o pior ainda estava por vir: quando a repórter perguntou ao delegado se ela estava presa, o agente respondeu: - Não. Está internada em uma clínica... Não está em condições emocionais de responder. Pensei mesmo assim na hora: - Poxa ! Queria ver se fosse pobre ! Tava presa em flagrante por triplo homicídio, triplamente qualificado. E desde quando problemas financeiros agora são motivos para se matar três membros da família ? E o delegado ainda põe "panos quentes" ? Que eu saiba a ele não cabe o papel de julgar. Nem a favor nem contra. Mas é a loucura do mundo de hoje. Assassinos seriais, sem motivo aparente, são moda agora.
Já "prática consolidada" nos EUA, nosso "irmão mais evoluído", tomara que não desembarque aqui em terras tupiniquins. Em minha opinião ainda há muito a desvendar neste caso. Acompanharei nos próximos dias. Não quero crer que uma motivação tão fútil tenha causado a morte de três pessoas. A acusada deixou umas dez páginas de cartas explicando a sua motivação: segundo ela, não queria deixar o marido, a irmã e a sobrinha sofrerem por conta das dificuldades financeiras ...?! Me parece muito estranho. De qualquer forma, do jeito que as coisas andam neste mundão de hoje, tudo é possível.
O que me recuso a admitir é que esses assassinatos em série se multipliquem mundo afora. Já pensei sobre isso. Parece haver uma necessidade de "catarse". Creio que talvez isto ocorra porque mão há uma "válvula de escape" para os sentimentos de frustração. Não há alguém para dizer "tudo bem, estou aqui". O cidadão comum tem que engolir tantos sapos, enfrentar jornadas de trabalho estressantes, o trânsito, o mau-humor dos colegas e ainda é obrigado a chegar ao final do dia sorrindo. Aí um belo dia, parece que entra em pane: - hoje foi a gota d'água, vou pegar um rifle e matar algumas pessoas desavisadas ! Na verdade, parece que como a sua frustração e raiva não tem um alvo definido (está diluído em toda sociedade, no "sistema" ), ele "desconta no primeiro que estiver à frente". E que Deus nos acuda !

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Be-a-bá do Rock

Domingo (portanto ontem) me lembrei de uma banda que não escutava há muito tempo. Muito tempo mesmo. O Rush. Banda canadense com quase quarenta anos de estrada, ela já foi minha preferida durante a infância e pré-adolescência. Interessante esse negócio da música. Parece que o gosto da gente é cíclico. Já havia escrito algo mais ou menos a respeito antes. Acontece que pelo Rush tenho um carinho especial. Foi ouvindo Rush que comecei a apreciar Rock’n’Roll, influenciado por meu Tio Robson.
A história de como descobri o Rush é que não é nada interessante. Não tem nada de especial, pelo contrário. Para os aficcionados pelo Rock’n’Roll e pela banda, talvez seja até uma heresia. Mas acho que minha “descoberta do Rush” talvez seja semelhante à de muitos fãs brasileiros. Você já deve estar matando a charada. Sim! Foi através do seriado “MacGyver”, mais conhecido como “Profissão Perigo” no Brasil. Aos primeiros acordes da introdução da música “Tom Sawyer” eu, ainda bem garoto, me arrepiava. Tondon-don-don-don ! Tondon-don-don-don .... The river !
Então um belo dia, estava eu na casa da minha avó materna. Como de costume, meu tio no quarto dele, em meio à uma coleção de vinil que tinha mais de 600 discos (descobri mais tarde). Era o hobby dele, passava o fim-de-semana limpando os vinis com uma flanelinha, catalogando. E ouvindo música, claro ! Foi então que ouvi aqueles acordes iniciais de “Tom Sawyer” e exclamei: - a música do MacGyver ! – Tio, de quem é essa música ? – É do Rush ! – Grava pra mim ? – É só você me trazer uma fita semana que vem que eu gravo. Fala com sua mãe. –Tá bom !
Na semana seguinte tava lá. Levei a fita, e enquanto ele gravava, aproveitou para ir me “catequizando”. Até então, não conhecia muito das bandas de rock’n’roll. O que conhecia de música era do rádio. Do jeito que os meninos da minha geração podiam fazer: agente ficava escutando as FMs. Deixava aquela fita preparada para gravar: apertava PAUSE/REC/PLAY. Quando passava uma música que você achava legal, liberava o PAUSE. Era a forma de um garoto de oito, nove anos consumir música. Não tinha internet pra baixar. Nem mesada. Era no radinho mesmo. Coisa precaríssima e às vezes até ridícula. Junto com a música agente cansava de (quase sempre) gravar também o locutor. Tosco: - “ e esse foi o “Ruchi”, com “Tom Saier” ”. Era assim mesmo que os locutores diziam. Inglês de “crasse”. Acho que era Rádio 98 aqui em Montes Claros. A primeira a ter programa só de rock’n’roll.
Depois fui conhecendo mais. Tio Robson gravou outras fitas. Do Rush, Led Zeppellin, Pink Floyd. Eu escutava até gastar. Mas o Rush sempre teve lugar especial no meu coração. Se fosse uma disciplina, a música do Rush poderia se chamar “Introdução ao Rock’n’Roll I”. E o melhor: rock progressivo, que prima por acordes elaborados, músicas longuíssimas, trabalhadas. Muita gente acha chato, massante. Principalmente quem é mais chegado ao punk, que representa a simplicidade, três acordes e pronto. Mas pra mim o rock progressivo é arte pura. É a música clássica do século XX. Não me importo de escutar um solo de guitarra de dois minutos. Você viaja. Além disso o rock progressivo trouxe muitos elementos para o rock. Enriqueceu o estilo. Começou com os Beatles, depois o Led Zeppellin, trazendo instrumentos indianos exóticos, depois veio a era dos sintetizadores. Mas isto é uma outra estória... Viva o Rush! Valeu Tio Robson !!!!
The Trees(tradução)
Rush Composição: Indisponível
As Árvores
Há inquietação na floresta
Há problema com as árvores
Pois os bordos querem mais luz do sol
E os carvalhos ignoram seus argumentos.
O problema com os bordos,
(e eles estão totalmente convencidos que estão certos)
Eles dizem que os carvalhos são muito altos
E eles capturam toda a luz.
Mas os carvalhos não podem evitar seus sentimentos
Se eles gostam do jeito que são feitos.
E eles se perguntam por que os bordos
Não podem ser felizes em suas sombras.
Há problema na floresta,
E as criaturas todas fugiram,
Enquanto os bordos gritam “Opressão”
E os carvalhos, apenas mexem suas cabeças
Então os bordos formaram um sindicato
E exigiram direitos iguais.
“Os carvalhos são muito gananciosos;
Nós os faremos nos dar luz.”
Agora não há mais opressão dos carvalhos,
Pois aprovaram uma lei nobre ,
E as árvores são mantidas todas iguais
Por machadinhos, machados e serrotes.

sábado, 11 de abril de 2009

Espera

Durante estes dias quero continuar retirado de mim mesmo. - Afinal, o que são os meus sofrimentos, as minhas "questões existenciais" perto da reflexão da Paixão do Senhor ? (penso eu). Pobre "homenzinho", é o que sou. Nós sofremos para compreender a existência, esquadrinhá-la com a nossa inteligência limitada. E nos deparamos com esta figura: Jesus. O total abandono, o desprendimento. - "És tu o Rei dos judeus" ? - "Tu o dizes....". Serenidade diante da adversidade. Como alcançar tal coisa, se este "homenzinho" costuma perder a paz à menor contrariedade ?
Entenda-se: retirar-se de si mesmo não quer dizer alienar-se. É deixar de olhar tanto para dentro e procurar olhar mais "em torno". Senão, como Narciso, pode-se ficar enfeitiçado pela própria figura. Acho que o grande problema é tomar o mundo "a partir de si". Mas pode-se questionar: - "Há outra forma de se vislumbrar o mundo ?". Sim: - "De cima". Mas quem já esteve lá, a não ser o que desceu de lá ?
Ei, mestre ! Não me deixe sozinho não ! Já tô de saco cheio de mim mesmo. Sou o meu pior conselheiro. Como saber se estou certo, se tudo o que se escuta são ecos do seu próprio pensamento ? Pena que até hoje o Senhor não foi compreendido. O desejo de domínio é que estraga tudo. A ansiedade. O desprendimento liberta. Aí vem alguém e diz: - Não se pode viver sem trabalhar... (como se se despojar fosse sinônimo de vadiagem, alienação). Os pensadores cristãos costumam dizer que até um mendigo pode ser mais apegado que o maior dos milionários. Apego não é possuir muitas coisas. É amar o Ter mais do que o Ser. Mesmo que seja o único par de sapatos. A gente vê isso por aí. Até na "literatura da moda" contemporânea: o personagem Smiegel, de "Senhor dos Anéis", que para possuir o "my precious", se "enterra" em uma caverna. Deixa de viver para si para viver para o objeto o precioso anel.
O mundo hoje tem muito disso. Escravos do poder, da beleza, da auto-imagem, da opinião alheia... Sei que é estupidez, mas o sistema é aprisionante. Então inventam as "fórmulas": para o sucesso, pra ser feliz, pra "agarrar um namorado ou namorada". E o alvo sempre está no externo. No aquém. É por isto que poucos compreendem bem o cristianismo. Não atentam para a mensagem. "Amai ao próximo como a ti mesmo"... se não me amar, nunca poderei amar outrem.
E a ciranda da vaidade nos diz hoje: - "Nunca estejam satisfeitos, queiram sempre mais..." Não tem botox que chegue. Enquanto eu não me aceitar, como posso amar o outro ? Se aceitar não quer dizer " sou assim mesmo e pronto e quem quiser que se ajeite". Quer dizer: este sou eu, com suas misérias e jardins também. Perfeição só em anúncio de xampu e creme dental. Quem convive conosco tenha paciência ! Eu tô mudando ! Espero que pra melhor.
Hoje é um dia simbólico. Nosso Senhor está sepultado. Ressurge amanhã. Então pode-se pensar: por que Ele esperou 24 horas ? Pra quê ? Eu interpreto assim: Ele queria mostrar que não há transcendência sem morte, sem recolhimento, sem silêncio. A pressa não combina com transformação. A espera sim. Parece contraditório. Como a inércia, esta "espera" vai transformar algo? Não se pode crescer fora do útero. Não se gesta um novo homem em meio à agitação. Desperta tu que dormes !

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Reflexão da quinta-feira - Vencendo a apatia

Nesta Semana Santa não vejo sentido em falar de mim. Quero quebrar a casca do meu egoísmo. Quero escutar, aprender dos "antigos". Tenho lido muito textos dos "Padres do deserto", que foram ermitões, sábios do início do cristianismo. Muitos viviam retirados, em meditação e oração. Procuravam a sabedoria. Nisto, encontrei um texto interessante, que me coube como uma luva:

Perguntou-se a um ancião: «Por que acontece que eu me canso sempre? Porque ainda não conheces a meta», respondeu.

(...) "A doença fundamental é a preguiça. Ela é aquela estranha apatia, aquela passividade de todo nosso ser, que sempre nos puxa para baixo, e que constantemente nos persuade de que nenhuma mudança é possível e conseqüentemente nem desejável. " (...)

É, de fato, um cinismo profundamente arraigado que, a todo convite espiritual, responde: "Para quê?" E que desta forma faz de nossa vida um apavorante deserto espiritual. Esta preguiça é a raiz de todo pecado, porque ela envenena a energia espiritual na própria fonte. A conseqüência da preguiça é o desencorajamento (1). É o estado de acidia (2) - que todos os Padres espirituais encaram como o maior perigo para a alma. A acidia é a impossibilidade no homem de reconhecer qualquer coisa de bom ou positivo; tudo é levado para o negativismo e o pessimismo. É verdadeiramente um poder diabólico em nós, pois o diabo é basicamente um mentiroso. Ele mente para o homem a respeito de Deus e do mundo; ele enche a vida de escuridão e negação. O desencorajamento é o suicídio da alma, pois quando o homem está possuído por ele, torna-se absolutamente incapaz de ver a luz e desejá-la. O domínio (3). Por mais estranho que possa parecer, é precisamente a preguiça e o desencorajamento que enchem nossa vida do desejo de dominar. Ao viciar completamente nossa atitude diante da vida, e tornando-a vazia e desprovida de sentido, eles nos obrigam a procurar compensação em uma atitude radicalmente falsa para com os outros. Se minha vida não está orientada para Deus, se não busca os valores eternos, inevitavelmente ela se tornará egoísta e centrada em mim mesmo, o que quer dizer que todos os outros seres se tornarão meios a serviço da minha própria satisfação. Se Deus não é o Senhor e Mestre da minha vida, então eu me torno meu próprio senhor e mestre, e centro absoluto de meu universo, começo a avaliar tudo em função das minhas necessidades, das minhas idéias, dos meus desejos e dos meus julgamentos. Desta maneira, o espírito de dominação vicia minha relação com os outros em sua base; procuro submetê-los a mim. Ele não se exprime necessariamente na exigência efetiva de comandar ou de dominar os outros. Pode também tornar-se indiferença, desprezo, falta de interesse, de consideração e de respeito. É bem a preguiça e o desencorajamento, uma desta vez em relação aos outros; o que completa o suicídio espiritual com um assassínio espiritual. E para terminar, a vã loquacidade. De todos os seres criados, somente o homem foi dotado do dom da palavra. Todos os Padres vêem nisto o "selo" da imagem divina no homem, pois o próprio Deus se revelou como Verbo (Jo 1:1). Mas pelo próprio fato de ser o dom supremo, o dom da palavra é o supremo perigo. Pelo fato de ser a própria expressão do homem, sua forma de realização, ela é a ocasião de sua queda e de sua auto-destruição, de sua traição e de seu pecado. A palavra salva, e a palavra mata; a palavra inspira, e a palavra envenena. A palavra é instrumento de verdade, e a palavra é instrumento de mentira diabólica. Tendo um extremo poder positivo, ela tem, no entanto, um terrível poder negativo. Verdadeiramente, é um poder criativo, positivo ou negativo. Desviada de sua origem e seu objetivo divinos, a palavra se torna vã. Ela é de grande auxílio à preguiça, ao desencorajamento, o espírito de domínio, e transforma a vida em inferno. Ela se torna a própria potência do pecado. (...) E enfim, o coroamento e fruto de todas as virtudes, de todo crescimento e de todo esforço, é a caridade (amor), este amor que, como já dissemos, só pode ser dado por Deus, este dom que é o objetivo de todo esforço espiritual, de toda preparação e de toda ascese. Tudo isso se encontra resumido e reunido na súplica que conclui a oração de Quaresma e na qual pedimos para "ver minhas próprias faltas e não julgar a meu irmão." Pois, finalmente, há apenas um perigo: o do orgulho. O orgulho é a fonte do mal, e todo mal é orgulho. Contudo, não me basta ver minhas próprias faltas, pois até esta aparente virtude pode se transformar em orgulho. Os escritos espirituais estão cheios de advertências contra as formas sutis de pseudo-devoção que, na verdade, sob aparência de humildade e auto-acusação, pode conduzir a um orgulho verdadeiramente diabólico. Mas quando nós "vemos nossas faltas" e "não julgamos nossos irmãos," quando, em outras palavras, castidade, humildade, paciência e amor são uma coisa só em nós, então e somente então, o último inimigo - o orgulho - está destruído em nós. (...) " Fonte: www.ecclesia.com.br

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mudança de rota

Ontem à noite estava prestes a postar um texto. Não este aqui. Então a internet aqui de casa começou a apresentar problemas, testando a minha paciência. Pedi a ajuda do meu irmão, que diagnosticou: - Deve ser algum vírus. No frigir dos ovos creio que foi até providencial. Mais uma vez iria postar um texto mais intimista, mais uma auto-análise. Tá certo que eu até admita que este está se tornando um “cacoete literário” (se é que este termo existe).
Lembrei-me então que ontem já estávamos em plena Semana Santa. Lembrei-me de Nosso Senhor. Da sua Paixão. Comecei a refletir sobre algumas passagens do Evangelho, principalmente de São Marcos. Domingo estava lendo a Paixão, especificamente a passagem do momento em que Nosso Senhor é apresentado a Pilatos, no Pretório. – És tu o Rei dos judeus ? – Tu o dizes (responde Jesus). Pensei: - Quanta coragem ! Ele sabia que daquela conversa dependeria o seu destino. Seu livramento ou sua condenação. Quando interrogado ou acusado, faz jeito de somenos importância. Não que Nosso Senhor fosse indiferente ou metido a valentão. Ali Ele ensinava como enfrentar a adversidade: com dignidade, sem choramingar, sem praguejar ou lamentar o destino. E pensei: quanto tenho que aprender meu Deus !
Não é que tenhamos que ser resignados pura e simplesmente. Ou masoquistas. Não ! Mais do que com palavras, Jesus ensinou com a vida. Sua vida foram as páginas de um manual de como ser mais humano. Judas não entendeu... Ainda hoje muitos não entendem. – Mas como ? Como demonstrar fortaleza em tanta fragilidade ? No silêncio, na aniquilação ? Só uma coisa pode explicar tudo isso: o sentido de transcendência: “ Meu Reino não é deste mundo...”. “ Ocultei estas coisas dos sábios para revelá-las aos pequenos...”.
É importante partilharmos não só a alegria, mas as experiências dolorosas. Recordei-me de um texto do Abrigo Madrugada que fala da questão da culpa. Interessante como a culpa nos aprisiona. Então refleti e concluí que a culpa só nos aprisiona quando não aprendemos com o erro. Quando não o assumimos ou quando entramos em um processo de auto-punição. Lembrei-me de uma pregação de um Padre (Padre Antônio, em BH), que me marcou muito. Ele dizia assim: - Sabem qual a diferença entre Judas e Pedro ? Ambos traíram Jesus. Judas o vendeu, Pedro o negou. Ambos se arrependeram. A diferença é que Pedro se reergueu e tornou-se depois um grande apóstolo. Judas amargurou-se e cometeu suicídio. A diferença está aí: Judas não conseguiu vislumbrar o perdão. Principalmente: não SE perdoou.
Acredito que se perdoar talvez seja o maior desafio. No meu caso particularmente. O que ocorre é que quase sempre pensamos ser mais do que realmente somos. Ou menos. Este é o problema. Os monges antigos do início do cristianismo, entre os quais muitos eram ermitões, afirmavam que o auto-conhecimento é a chave da paz interior. Concordo. Mas como é difícil adquirir esta paz interior, o auto-conhecimento ! É por isso que os monges antigos passavam anos meditando no deserto para começar a sua pregação. Queria eu ter essa capacidade de silenciar, de olhar para dentro de mim. Ver como muitas vezes sou chato, ranzinza. Comigo e com os outros. Não no sentido de me culpar (que é inútil). Mas no de buscar melhorar. Dizia o abade Amun (monge no Egito): "Suporta todo homem assim como Deus te suporta”. Tenho procurado praticar isso. Principalmente com o meu pai. Sei que estou muito longe da meta, mas ainda pretendo chegar lá. Afinal ( acabei de pensar isto), ser bom com os outros também pode significar ser bom comigo. Me trazer mais paz. Ser bom não quer dizer “ser bonzinho”, o que na verdade é muito cômodo. Ser bom é defender o que se acredita. Mas com mansidão, sem elevar a voz. Motivado por um sentimento altruísta, não por vaidade. Senhor, ensina-me a suportar mais os outros e ser menos insuportável !

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sobre a estranheza ...

Hoje um velho amigo me falou uma coisa que me encucou. Vou ser direto: foi o Leandro. Sei que ele não gosta de ser citado. Me desculpe Leo, mas você vai ficar registrado. Ele me disse assim: - entrei no seu Blog, no do Moisés e no do Mendel. Tem umas coisas estranhas lá... - É, realmente. Estranhas. Então pensei: vou escrever sobre isto. E por onde começarei ? Pela estranheza, mais precisamente a palavra “estranho”, em sua etimologia – paro de escrever um instante para pesquisar - Onde eu estava mesmo ? Há ...“estranho” ! Vamos lá ! Definição do dicionário:
Estranho adj. (Lat. extraneus). 1. Contrário ao uso, ao normal ou ao esperado. 2. Incomum, insólito, extraordinário. 3. Exterior, estrangeiro, externo. 4. Desconhecido, misterioso. 5. Que não tem nenhuma relação como o assunto ou tema; alheio. 6. s.m. Indivíduo estrangeiro. 7. s.m. Pessoa que não conhecemos. 8. s.m. Aquilo que se estranha.
É... o Leo definiu bem o perfil dos nossos Blogs. E pensando bem, fiquei feliz ao ler o verbete. Quando criei o RARERIRORUY, queria exatamente que fosse “não usual”, “anormal” e “inesperado”. Enfim, estranho. Não no sentido de querer chocar ou aparecer. Nem mesmo há o desejo de causar boa impressão. Não ! Mas que pudesse trazer algo novo. Primeiramente para minha vida, já que há muito eu havia perdido o gosto pela escrita, estava descrente mesmo (culpa do Schopenhauer - o que não vem ao caso agora). Então ao conhecer o Blog do Moisés (primeiramente) e depois o do Mendel, pensei: - “Por que não” ? E bebi um bocado na fonte desses dois blogs. Do Moisés confesso que aprendi a fazer textos mais confessionais. Já quanto ao Mendel gostaria de escrever com toda aquela “loucura” e clima de realismo fantástico de alguns de seus textos, em forma de crônica.
O fato é que não faria sentido criar um texto, contar uma história ou inventar um caso se fizéssemos do jeito que a nossa vida costuma ser: "amarradinha". Ou seja, sem "subversão". Entenda bem: não estou propondo barricadas na rua ou coisa parecida, mas o direito de dar vazão à imaginação, ao tal de "eu-lírico" que tanto estudamos no 2º grau e no cursinho e que pensávamos que só existia para passar no vestibular. Não ! Esse tal de "eu-lírico" existe e representa um direito nosso (do cidadão comum), que simplesmente deseja escrever. Qualquer bobagem que seja !
Para mim não teria sentido me dar ao trabalho de sentar-me à frente do computador e escrever coisas lugar-comum (apesar de ter feito isso no 1º de Abril, intensionalmente). Falar de festinhas, badalação. Aqui pra mim é o "lugar da Náusea". Quem conhece a obra de Jean Paul Sartre sabe bem o que é isso. Escrever sobre a vida, sobre sua beleza ou sua feiúra em muitos momentos pode ser enauseante. Há dias em que você consegue tirar o melhor de você. Mas há dias também em que só o pior quer vir à tona.
Voltando à definição do "pai dos burros", vulgo dicionário: se estranho é aquilo que é incomum ou insólito, entendo que ser estranho seja até estimulante. Tudo isto apesar de achar que meu texto tem muito a melhorar, tanto em conteúdo quanto em linguagem. Mas tudo bem, o que vale é a brincadeira. Afinal pra mim é a estranheza que faz toda a beleza. Não é à toa que o Brasil tem as assim consideradas mulheres mais belas. Afinal, citando mais uma vez o dicionário: aquilo que é estranho é incomum e nisto reside a sua "beleza", mesmo que não seja a convencional.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1 º de Abril

1º DE ABRIL - ENGANEI O BOBO, NA CASCA DO OVO, QUE CAIU, CAIU, CAIU PRIMEIRO DE ABRIL ! .... Tudo começou em 1564, quando Carlos IX, rei de França, por uma ordonnance de Roussillon, Dauphine, determinou que o ano começasse no dia primeiro de janeiro, no que foi seguido por outros países da Europa. É claro que, no início, a confusão foi geral, de vez que os meios de comunicação ainda eram inexistentes. Não havia rádio, televisão, nem mesmo o jornal, pois a invenção da imprensa, por Gutenberg, só aconteceu muitos anos depois. Antes de Carlos IX determinar que o dia primeiro de janeiro fosse o começo do ano, este tinha início no dia primeiro de abril, o que resultou ficar conhecido como o Dia da Mentira, por força das brincadeiras feitas com a intenção de provocar hilaridade. Surgiram, então, as brincadeiras (que os franceses denominavam de plaisanteries) em todo o mundo, como a da carta que se mandava por um portador destinada a outra pessoa, na qual se lia o seguinte: "Hoje é primeiro de abril. Mande este burro pra onde ele quiser ir". Seria um nunca acabar se fossem, aqui, relacionadas as brincadeiras referentes ao primeiro de abril. Até mesmo eram distribuídas cartas convidando amigos para assistirem ao enlace matrimonial de pessoas que nem sequer se conheciam, mencionando a igreja, o dia e a hora em que seria celebrado o suposto casamento. Vejamos alguns primeiros de abril pregados pela imprensa mundial, conforme relata a revista Isto é, de São Paulo, n11 1488, edição de 8 de abril de 1998: 1) "A África do Sul comprou Moçambique por US$ 10 bilhões. 0 anúncio do negócio fora feito na Organização das Nações Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela. Deu no jornal Star, de Johannesburgo; 2) A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo porque o dinheiro da seleção seria usado na luta contra o incêndio em Roraima; 3) A minúscula república russa Djortostão declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha. Isso tudo de acordo com o jornal Moscou Time; 4) Diego Maradona, ex-capitão da seleção argentina de futebol, é o novo técnico da seleção do Vietnã. Deu nos principais jornais vietnamitas; 5) Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil, do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada americana." Noticiando o falecimento de Maurício Fruet, ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal, a revista Isto é, São Paulo, nº 1510, edição de 9 de setembro de 1998, informou que ele "era considerado o parlamentar mais brincalhão e espirituoso que passara pela Câmara dos Deputados. Um exemplo: convocou uma falsa reunião de todo o secretariado do então governador coberto Requião no dia 1º de abril de 1990 (havia 15 dias que Requião tomara posse). Os Secretários, sem entender nada, passara m toda a madrugada no Palácio Iguaçu. De manhã, Fruet fez chegar a informação de que era um trote do Dia da, Mentira." Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das plaisanteries francesas, continuem sempre a existir, graças à eternidade das manifestações folclóricas no mundo inteiro.
FONTE: http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cur_1abr.htm